Comunidades atingidas por mineração divulgam carta compromisso

A ecologia integral proposta pelo papa Francisco na encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum e o bem-viver ensinado pelos povos tradicionais inspiraram os participantes do Encontro das Comunidades Atingidas por Mineração em diálogo com a Igreja no Norte e Nordeste, realizado em Açailândia (MA), neste mês de novembro, a assumirem compromissos.

O encontro, entre os dias 9 e 11 deste mês, foi promovido pelo Grupo de Trabalho para as Questões de Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a rede Iglesias y Minería do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM) e a rede Justiça nos Trilhos. Apoiaram a iniciativa a 350.org Brasil e a Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS).

No texto, é manifestada preocupação com a conjuntura política do país, “com perspectiva de agravamento das violações de direitos e desmonte de algumas instituições e leis que os garantem, aumentando as desigualdades provocadas pelos modos de produção capitalista e extrativista”.

Bispos, padres, religiosas, religiosos, leigas, leigos, lideranças eclesiais comunitárias, mulheres, jovens, crianças, lideranças indígenas, pescadores, lavradores, todos que estiveram reunidos no bairro Piquiá de Baixo, em Açailândia, também denunciaram “o loteamento do Estado para a implantação de grandes empreendimentos que beneficiam poucos setores e violam os direitos da maior parte da população”.

Em sinal de esperança, anunciam “a capacidade impressionante de resistência do nosso povo, através da sua mística, espiritualidade, sabedoria, organização, com criatividade, reconhecendo e fortalecendo suas identidades”. Caracterizam-se como um povo “rico de vida, de natureza, de cultura e de inteligência”.

O conjunto de nove compromissos envolve participação em processos de decisão que afetem suas comunidades, repúdio a técnicas de mineração nocivas ao meio ambiente, apoio aos povos indígenas e o fortalecimento da articulação de comunidades e das Pastorais Sociais.

Leia a carta na íntegra.