Somente 99 pessoas votaram em consulta

A chuva que caiu em vários momentos no último sábado em Paranavaí atrapalhou a participação na consulta organizada pelo movimento “O Sul é o Meu País”. Com isso, apenas 99 pessoas votaram, sendo que 95 delas disseram “sim” à proposta de separação do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do restante do país. Os outros 4 votos foram para o “não” à mudança.
Voluntário do grupo pró-independência, o comerciante Fernando Henrique Missiatto, 35 anos, lamenta que as condições do tempo tenham dificultado o acesso. Ele lembra que muitos motoristas não conseguiram parar por causa da chuva.
Por outro lado, também os organizadores não conseguiram explicar para as pessoas as razões do movimento. Diante disso, ele considerou bom o número de adesões, embora a meta inicial fosse de algo superior a 500 votantes. O grupo conta com pelo menos 16 voluntários na cidade.
Mas, o objetivo foi cumprido, já que, conforme explica a organização, trata-se de uma etapa de divulgação e busca de apoio popular. O movimento pretende conquistar nos próximos anos adesão suficiente para um projeto de iniciativa popular visando a realização de um plebiscito legal com autorização do Congresso Nacional e com isso avançar no projeto de autonomia.
Dentre os argumentos dos separatistas está a situação atual da política brasileira, com desmandos e casos de corrupção que se multiplicam todos os dias. Outro fator é a centralização dos recursos em Brasília, sem a devida contrapartida dos impostos em forma de serviços para a população.
Um dos empecilhos do movimento é o artigo 1º da Constituição que diz que o Brasil é formado pela união indissolúvel dos estados, municípios e Distrito Federal. Trata-se de cláusula pétrea (perpétua), só revogável com a elaboração de uma nova constituição.
Em contraponto, os separatistas citam a resolução 1514 da ONU – Organização das Nações Unidas, que, entre outros tópicos, fala que “Todos os povos têm o direito de livre determinação; em virtude desse direito, determinam livremente sua condição política e perseguem livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural”.